Usina solar flutuante vs terrestre: qual a melhor para geração de energia?

1 de junho de 2026

A usina solar flutuante ganhou espaço nas discussões estratégicas do setor elétrico porque resolve um problema que cresce junto com a expansão da energia fotovoltaica: disponibilidade de área, eficiência operacional e aproveitamento energético em larga escala.

Enquanto isso, as usinas terrestres continuam liderando a geração solar no Brasil pela maturidade tecnológica, menor complexidade de implantação e escala consolidada.

A questão já não é qual modelo substitui o outro. O ponto está em entender onde cada arquitetura entrega melhor performance técnica, financeira e operacional.

Segundo a ABSOLAR, o Brasil já ultrapassou 60 GW de capacidade solar instalada. Esse crescimento amplia a pressão sobre eficiência, monitoramento e controle operacional das plantas.

Neste artigo, você verá as diferenças entre usinas solares flutuantes e terrestres, os impactos em geração, manutenção e O&M, além do papel da automação e do monitoramento inteligente para garantir performance contínua.

O que é uma usina solar flutuante?

A usina solar flutuante é um sistema fotovoltaico instalado sobre estruturas flutuantes em reservatórios, lagos, barragens ou áreas industriais alagadas.

Os módulos ficam ancorados em plataformas desenvolvidas para suportar variações climáticas, movimentação da água e mudanças no nível do reservatório.

Esse modelo vem crescendo em países com alta densidade populacional ou limitação territorial. No Brasil, o interesse aumentou principalmente pela integração com reservatórios hidrelétricos.

Segundo a IEA (International Energy Agency), a energia solar continuará liderando a expansão renovável global até 2030, impulsionando novas aplicações tecnológicas como a solar flutuante.

Além da economia de área útil, existe outro fator técnico relevante: a temperatura dos módulos. A proximidade da água reduz o aquecimento dos painéis, favorecendo a eficiência energética da geração.

O que é uma usina solar terrestre?

A usina solar terrestre é o modelo mais difundido no mercado fotovoltaico. Os módulos são instalados diretamente no solo, geralmente em estruturas fixas ou trackers, ocupando áreas dedicadas exclusivamente à geração.

Esse formato domina o mercado por alguns fatores:

  • menor complexidade construtiva;
  • cadeia de fornecimento madura;
  • manutenção simplificada;
  • engenharia já consolidada;
  • maior previsibilidade operacional.

Além disso, usinas terrestres oferecem maior facilidade para expansão modular e acesso físico aos ativos.

Por outro lado, a ocupação territorial pode se tornar um desafio em regiões urbanizadas, áreas agrícolas valorizadas ou locais próximos a centros de carga.

Usina solar flutuante vs terrestre: quais são as principais diferenças?

A comparação entre os modelos exige análise técnica. Eficiência, CAPEX, OPEX e manutenção variam conforme localização, tipo de operação e infraestrutura disponível.

Abaixo, os principais pontos de atenção.

FatorUsina Solar FlutuanteUsina Solar Terrestre
Uso do espaçoAproveita espelhos d’águaRequer área dedicada
Temperatura dos módulosMenor aquecimentoMaior exposição térmica
Complexidade estruturalAltaMédia
Facilidade de manutençãoMenorMaior
Custos iniciaisMais elevadosMais competitivos
EscalabilidadeDependente do reservatórioAlta
Integração hidrelétricaExcelenteLimitada

Usina solar flutuante gera mais energia?

Em muitos cenários, sim. O principal motivo está no resfriamento natural dos módulos causado pela evaporação da água e pela menor retenção térmica da superfície.

Painéis fotovoltaicos operam com perda gradual de eficiência conforme a temperatura aumenta. Portanto, temperaturas menores favorecem melhor desempenho elétrico.

Estudos publicados pela Nature Scientific Reports apontam ganhos operacionais que podem variar entre 5% e 15%, dependendo das condições climáticas e do projeto.

Entretanto, eficiência não depende apenas da geração instantânea. Uma planta precisa considerar:

  • estabilidade estrutural;
  • taxa de disponibilidade;
  • facilidade de manutenção;
  • confiabilidade da comunicação;
  • monitoramento contínuo;
  • tempo de resposta operacional.

Sem controle operacional consistente, qualquer ganho térmico perde relevância no longo prazo.

Qual modelo ocupa menos espaço?

A usina solar flutuante possui vantagem clara nesse ponto. Ela utiliza áreas já existentes e sem aproveitamento produtivo direto, como reservatórios de hidrelétricas, mineradoras e saneamento.

Segundo estudo da PSR divulgado pela Eixos Energia, apenas 1% da área dos reservatórios hidrelétricos brasileiros poderia adicionar cerca de 24 GW de capacidade solar. Esse cenário interessa principalmente para:

  • concessionárias;
  • utilities;
  • grandes consumidores;
  • operações industriais;
  • ambientes com restrição territorial.

Já as usinas terrestres exigem negociação fundiária, preparação de solo e maior impacto territorial.

A manutenção da usina solar flutuante é mais complexa?

Sim. E esse talvez seja o principal ponto crítico do modelo. Ambientes flutuantes aumentam o desafio operacional por vários fatores:

  • corrosão acelerada;
  • umidade constante;
  • acesso físico limitado;
  • movimentação estrutural;
  • desgaste mecânico;
  • exposição climática severa.

Além disso, deslocamentos técnicos costumam demandar logística específica. Isso eleva a importância de monitoramento remoto e automação operacional.

Sem visibilidade contínua da planta, pequenas falhas podem gerar perdas acumuladas relevantes. É exatamente nesse cenário que soluções SCADA ganham importância estratégica.

Por que monitoramento e automação são decisivos em usinas solares?

Quanto maior a complexidade operacional da planta, maior a dependência de dados confiáveis.

Em usinas solares flutuantes, o operador precisa acompanhar continuamente a performance dos inversores, a disponibilidade da planta, os alarmes críticos, a eficiência energética, as falhas de comunicação, os KPIs de geração e o status elétrico dos ativos.

Na prática, esse nível de controle já faz parte da operação da ATI. A empresa monitora a Usina Fotovoltaica Flutuante Araucária, instalada na Represa Billings, em São Paulo, marcando seu primeiro projeto solar flutuante monitorado.

A planta possui 7 MWp de capacidade instalada e potência máxima de entrega à rede de 5 MW, reforçando a importância da supervisão remota, da coleta contínua de dados e da gestão de alarmes em ambientes de maior complexidade operacional.

O monitoramento precisa ocorrer em tempo real e com capacidade de resposta remota. Ou seja, o SGD da ATI centraliza dados operacionais, integra equipamentos de diferentes fabricantes e permite a supervisão remota da usina em uma única plataforma.

Além disso, a ATI já monitora mais de 700 MWp e mais de 4.980 inversores em operação nacional.

Como o SGD, UTRs e gateways da ATI ajudam na operação da usina?

Em plantas solares, o problema raramente está apenas na geração. O desafio normalmente aparece na integração operacional dos ativos.

A ATI atua exatamente nesse ponto, onde o SGD realiza:

  • supervisão remota;
  • dashboards operacionais;
  • gestão de alarmes;
  • KPIs como PR, FC e EPI;
  • telecomandos;
  • relatórios automatizados;
  • integração via API.

Já as UTRs realizam a coleta e transmissão dos dados operacionais diretamente dos equipamentos de campo.

O Gateway Modbus permite integração entre dispositivos RS-485 e redes TCP/IP, facilitando a comunicação entre inversores, sensores e sistemas supervisórios.

Na prática, isso reduz:

  • deslocamentos técnicos;
  • tempo de resposta;
  • falhas não identificadas;
  • perda de geração;
  • inconsistências operacionais.

De fato, operações distribuídas ganham padronização e previsibilidade.

Quando a usina solar flutuante vale mais a pena?

A usina solar flutuante tende a apresentar melhor viabilidade em cenários específicos como em reservatórios hidrelétricos, áreas industriais alagadas, regiões com alto custo territorial, projetos híbridos hidro + solar, operações com restrição fundiária e ambientes com metas agressivas de expansão renovável.

Também existe ganho relevante em locais com temperaturas elevadas durante grande parte do ano.

Nesses casos, o resfriamento natural contribui para melhor estabilidade operacional dos módulos.

Quando a usina terrestre continua sendo a melhor escolha?

Mesmo com o avanço da solar flutuante, o modelo terrestre ainda oferece vantagens importantes. Principalmente:

  • menor CAPEX;
  • engenharia consolidada;
  • implantação simplificada;
  • manutenção facilitada;
  • maior competitividade financeira;
  • expansão operacional mais simples.

Além disso, equipes de O&M já possuem processos maduros para operação terrestre.

Isso reduz curva de aprendizado e riscos operacionais.

Para muitos projetos de geração distribuída e geração centralizada, a usina terrestre continua apresentando melhor relação entre custo, previsibilidade e retorno.

FAQ: perguntas frequentes sobre usina solar flutuante

Usina solar flutuante é mais eficiente?

Pode ser. O resfriamento natural da água reduz a temperatura dos módulos e melhora a eficiência energética em determinados cenários.

Usina solar flutuante custa mais caro?

Sim. A estrutura flutuante, ancoragem e logística operacional elevam o investimento inicial.

Painéis solares na água sofrem mais desgaste?

Sim. Umidade, corrosão e movimentação estrutural aumentam exigências de manutenção.

Vale a pena instalar solar flutuante em hidrelétricas?

Em muitos casos, sim. A infraestrutura elétrica existente facilita integração e aproveitamento da área disponível.

O monitoramento remoto é obrigatório em usinas flutuantes?

Na prática, sim. O nível de complexidade operacional exige supervisão contínua e rápida resposta técnica.

O SGD da ATI funciona em usinas solares flutuantes e terrestres?

Sim. O SGD integra equipamentos de diferentes fabricantes, centraliza indicadores operacionais e permite supervisão remota das plantas solares.

Conclusão

A usina solar flutuante não substitui automaticamente a terrestre. Cada arquitetura responde melhor a determinadas condições operacionais, ambientais e econômicas.

Projetos flutuantes apresentam vantagens relevantes em aproveitamento territorial e eficiência térmica. Por outro lado, aumentam a complexidade de O&M, exigindo monitoramento contínuo, integração operacional e automação robusta.

Já as usinas terrestres seguem dominando o mercado pela maturidade técnica e previsibilidade operacional.

Independentemente do modelo, a performance da planta depende diretamente da qualidade dos dados operacionais disponíveis para decisão.

É exatamente nesse ponto que soluções como o SGD, as UTRs e os gateways da ATI ajudam operadores, utilities e gestores a manter controle contínuo da geração, reduzir falhas e aumentar a eficiência operacional da usina solar flutuante e terrestre.

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